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ENSAIO PRÉ-SELECIONADO PEF 2026 de Gedeon Santos

POVO DAS MARGENS

Povo das Margens nasceu das impressões de minhas andanças pelas beiradas de rio. Por décadas, me aventuro em barcos, voadeiras, canoas, em busca da gente boa e simples do interior do Amazonas. O lapso temporal se encarregou de garantir a familiaridade do povo das margens do rio com a objetiva, o que confere ao ensaio a naturalidade com que expressa a beleza da vida cotidiana dos ribeirinhos, nada obstante as tantas dificuldades por eles vivenciadas.

As imagens se vestem de uma linguagem que pretende trazer à lume o cotidiano das. personagens que as inspiraram, mas procura igualmente honrar a complexidade das lições de vida que tais experiências despertam. Historicamente, os agrupamentos humanos surgem onde a água está, lá se desenvolvem e, culturalmente transformados, se distanciam. Com este grupo, ao contrário, o que se percebe é o afastamento da perda de identidade.

De geração em geração, às margens de igarapés, paranás, lagos e rios, muitas comunidades ribeirinhas vivem em perfeita harmonia com o meio ambiente. Simbiose não apenas entre homem e floresta, mas entre a vida e a água que corre da nascente à foz, com a qual homens, mulheres, crianças e senis intimamente se relacionam. O orgulho de nascer “na beira”, brincar, remar, pescar, subir barrancas, fazer de leito estradas, banhar-se, envelhecer nas casas flutuantes, esta é a dinâmica que dita este ensaio.

O que vi e vivi representa um retrato do próprio tempo que se nega a passar.

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