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ENSAIO PRÉ-SELECIONADO PEF 2026 de Armando Coutinho do Rio

SOB O MANTO DA AVURA: A UNIDADE NO AXÉ DE OXALÁ

 

Nas celebrações dedicadas a Oxalá, o branco deixa de ser apenas uma cor para se tornar a matriz de uma cosmologia inteira. Sob essa alvura, que evoca a criação, a paz e o recolhimento, o terreiro transforma-se em um campo de convergência onde diferentes divindades do panteão afro-brasileiro manifestam-se em branco, mas mantendo intactas as outras marcas inconfundíveis de suas iden􀆟dades litúrgicas.

Este ensaio documental apresenta a interação entre a unidade do branco e a singularidade de cada Orixá. A narra􀆟va suprime tanto a ordem cronológica estrita do xirê como a unidade de uma única festa para construir um arco visual esté􀆟co, alternando a força ciné􀆟ca das divindades com respiros sensoriais de detalhes.

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A jornada abre com a fluidez e o brilho das águas doces de Oxum; mergulha no ritual de aspersão de Oxumarê simbolizando o ciclo da água e da renovação; a􀆟nge o ápice no salto congelado do aço de Ogum, caracterizando sua potência; respira na cadência ritmada do adjá que, com sua sonoridade, conduz cada Orixá; e expande-se na rotação orgânica da palha de Omolu, o senhor

da cura.

Em seguida, a textura e o toque no braço e no bracelete de prata que segura o opaxorô

aproximam o espectador da dimensão humana da devoção, momento em que o ego cede espaço à incorporação do sagrado, culminando na solenidade plena de Oxalá, o Senhor do Branco, que ampara e abençoa todo o rito.

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